No compasso do meu Eu Superior | Ecos da Alma por Josimeia Pereira
Desde criança, há sons que me tocam de uma forma que não consigo explicar.
Uma melodia que arrepia, um acorde que faz vir lágrimas aos olhos, um silêncio entre notas que parece suspender o tempo.
Entre todos esses sons, a música clássica sempre ocupou um lugar especial no meu coração.
E não estou a falar apenas pelo seu valor artístico, mas a forma como sinto em meu corpo, na minha mente e naquilo que, por falta de palavra melhor, chamo de alma.

A física quântica ensina-nos que tudo é energia e vibração.
O corpo humano não é exceção — cada célula, molécula e átomo vibra numa frequência própria. E a música, por sua vez, é a arte de organizar vibrações.
Quando uma peça é ouvida com atenção, as ondas sonoras interagem com o campo energético e com as células, influenciando o seu estado.
A ciência já demonstrou que certas frequências, presentes muitas vezes na música clássica, podem harmonizar o cérebro, reduzir o stress e criar uma sensação de expansão de consciência. É como se algumas notas tocassem não apenas os ouvidos, mas a própria estrutura do ser.
Do ponto de vista neurológico, esse tipo de música ativa áreas ligadas à atenção, à memória e à regulação emocional. Peças suaves e estruturadas, como as de Mozart, Bach, Beethoven e Debussy, ajudam a reduzir a atividade do sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de stress, e a estimular o sistema parassimpático, que promove relaxamento e regeneração.
Este estado de equilíbrio físico e mental é terreno fértil para a presença — e presença é, muitas vezes, o primeiro passo para qualquer experiência espiritual: é no agora que o Eu Superior se revela.

Quando se mergulha numa melodia, cada nota guia a respiração e a mente se aquieta, abre-se espaço para algo maior.
A música clássica, com a sua profundidade, conduz a esse lugar interno onde o tempo perde importância e onde não existe resistência.
Nesses momentos, não se está apenas a ouvir música — está-se a ser música.
O corpo acompanha o ritmo, o coração ajusta-se ao compasso, a respiração flui no mesmo movimento das notas.
E é nesse alinhamento que muitos sentem uma ligação profunda consigo mesmos e com algo que os transcende — essência, espírito ou simplesmente presença.
Nem toda a música clássica terá o mesmo efeito em todas as pessoas.
O segredo está em escolher de forma consciente: peças que tragam calma e elevação, momentos do dia em que seja possível ouvir de verdade, e não apenas usar como som de fundo, e um espaço onde se possa fechar os olhos, respirar e deixar que as notas atravessem o corpo.
A música clássica não exige crenças ou dogmas , apenas que se tenha um coração aberto para aceitar o convite.
Experimentar algo simples e poderoso pode ser libertador, como por exemplo: escolher uma peça que ressoe contigo, que tenha duração mínima de cinco minutos, sentar-se ou deitar-se confortavelmente, fechar os olhos, focar a atenção na respiração, permitindo que cada nota seja uma onda a percorrer o corpo dos pés à cabeça, observando as sensações sem julgamento.
Quando a música terminar, ficar alguns segundos em silêncio,e perceberá que é nesse espaço vazio, depois do som ,que o invisível se revela.
A música clássica também pode ser uma forma pura de espiritualidade.
Não precisa de palavras para recordar quem se é, nem de explicações para conduzir a lugares desconhecidos dentro de si.
Cada vez que alguém se permite ser tocado por uma melodia, alinha-se com uma parte que é eterna, que é luz, que é amor.
E talvez seja isso que o Eu Superior sempre quis dizer: “Eu estou aqui, e sempre estive.”
Com alma,
Josi Pereira
Ecos da Alma – Reflexões sobre o invisível que nos guia

